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quarta-feira, 25 de março de 2009

Expectativas

A imagem a cima é de três meninos que eu pude conhecer em um jogo de futebol. Jovens que tentavam se pendurar nos ferros da arquibancada, mas, o tamanho não os permitia alcançar. O que mais não está ao alcance desses garotos?
Persistiram, e dois conseguiram subir no local mais desejado, e assim poder observar seus ídolos (exemplos) de mais perto. Só que o menor, que carrega a mochila, ficou de fora observando. Parei cinco minutos, virei para ele e perguntei: “você quer subir ali?”. Rapidamente ele me respondeu que sim. Então, entreguei a mochila dele para meu irmão segurar, o peguei no colo e o coloquei aonde queria. Mas, não sai de perto com medo de que ele caísse.
Os policiais chegaram e os tiraram de lá, mais uma vez, os outros foram mais rápidos, e eu pedi calma para que menor pudesse sair sem causar algum acidente. Ele desceu cabisbaixo, e não esqueceu de insultar o guarda. Disse-me; tchau tia! E correu para outro ferro, buscando uma melhor visão do que, talvez, o faça mais feliz.
O futebol é um esporte democrático, pois, mesmo não conhecendo os nomes dos modernos games, aqueles meninos conheciam o time do Flamengo todo. E apoiavam com entusiasmo, fixados em um possível sonho, aplaudiam os jogadores como a si mesmos. Não pretendem ser engenheiros ambientais, técnicos de informática, o maior desejo mesmo, é o de ser jogador de futebol. Não conseguem se quer comprar a camisa do time, mas, vestem o coração com suas cores. São crianças que na sua pequenez, oferecem tudo que podem. E o que recebem em troca? Sonhos frustrados por uma falta de habilidade com a bola, ou, por um ambiente que os leva a caminhos menos gloriosos, uma vida toda levada a margem de uma sociedade cheia de muralhas.
A violência é algo real, mas, a pior consequência dela não são as mortes em si. Mas, o medo que passamos a ter do outro, ser humano como nós. A linguagem dos meninos, o comportamento com os policiais, e a audácia em querer, como eles disseram, “trepar no ferro”, trouxeram olhares repulsivos a minha comunicação com eles. Não porque eu seja fraca demais diante três crianças, mas, porque não são vistos mais como garotinhos. Aos olhos de uma sociedade aterrorizada, eles representam perigo, e sabem disso. Portanto, são agressivos para não serem atacados. No fim, são só garotos.

Beijos!

Um comentário:

M. disse...

Nossa..parabéns!! Mto bom mesmo teu texto.Concordo com absolutamente tudo.

Bjos!!!